UnC - Caçador: Deixem-me viver!

Universidade
Recebi hoje um e-mail bem interessante encaminhando mais uma manifestação pró-unificação, dessa vez, quem se manifesta é o Sr. Guerino Bebber, 1º Secretário da FAPE/FEARPE e professor-fundador, com mais de 30 anos de docência na UnC - Caçador, que escreve um texto colocando-se no lugar da própria universidade.

Vale a pena ler. Nada como pessoas que conhecem a linda história da universidade e mais, que FIZERAM  e VIVEM a história para comentar os recentes acontecimentos sem misturar com politicagem.

Novamente publico sem autorização do autor, então, peço que por favor, o autor não me processe ;)

UnC-Caçador...DEIXEM-ME VIVER!
por Guerino Bebber


Eu nasci em 1971-2. Meus pais eram dois professores: Dom Orlando Dotti e prof. Raulino Tramontim. Concebida em suas mentes, fiquei até pouco tempo em gestação. Logo nasci e nasci como Instituição. Nunca fui concebida como ‘empresa’.Eu fui e sou ‘instituição’, e como tal nasci para trazer bem-estar,crescimento e felicidade para todos os que me cercassem. E o caminho que eu escolhi foi o da ‘educação, cultura, conhecimento’.  Por isso, não competi com ninguém, nunca explorei quem quer que seja, nem me aproveitei de boa vontade de quem quer que fosse. Por quê? Porque esta é minha natureza.

Mas como meus pais eram pobres, uns ‘intelectuais pé-de-chinelo’ na linguagem dos detentores de poder econômico, meus pais se viram obrigados a encontrar algum ‘Mecenas’ que lhes desse suporte, sustento amparo, para eu  poder viver minha vida e minha missão. O primeiro deles, verdadeiro mecenas, foi o prefeito de então, Sr. Ardelino Grando que me cercou de todos os cuidados pra que eu pudesse crescer e ser eu - mesma. Veio até o Governador, Colombo Sales, para me batizar. E eu crescia em idade e em sabedoria.

Depois, depois, vieram outros- eu já moça faceira -, e gostaram de minha presença e companhia. Se encantaram comigo e me enamoravam. Mal me conheciam, queriam  estar comigo mais um pouco, porque era bom estar comigo. Eu era bonita e todos, ao me olharem, viam o meu companheiro. E ele, (eles), passeava feliz pelas colunas sociais da cidade, comigo ao meu lado.

Muitos deles  me trataram bem; sempre com gentilezas e  cortesias, mas houve aqueles – como é triste, hoje, recordar-me disso – houve aqueles que,  passados os primeiros momentos de respeito, abusaram de mim, prostituíram-me ,querendo tirar de mim meu próprio ser; queriam transformar-se num empreendimento lucrativo em detrimento daqueles que vinham a mim para crescerem comigo.Suprimiram até aqueles meus afazeres  que eu  amava tanto fazer , que me faziam crescer e deixavam felizes e alegres e melhores todos aqueles que me procuravam. E eles, ao invés de se preocuparem com minha inanição crescente, - mutilada que eu estava - chegaram a se proclamar ‘bem-sucedidos’ porque não estavam mais gastando comigo o seu dinheiro, (o meu dinheiro, aquele que eu consegui graças à minha beleza). E, por último, - que infelicidade a minha – como num casamento machista, agora quase quarentona, se adonaram de mim;  o colar que  no início me haviam dado virou uma coleira; eu virei serva submissa deles. Tiraram minhas vestes de ‘instituição’ e querem me envolver no terno rijo de um negociante frio e calculista cuja meta suprema é o lucro. E os meus ideais humanistas?!

Forçada por estas circunstância dolorosas, eu saio, agora às ruas da cidade  que eu vi crescer comigo, quero andar pelas ruelas e gritar: ‘ Deixem-me viver! Deixem ser eu mesma! E eu continuarei distribuindo alegria e felicidade para todos  os que vierem a mim.

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