
O tema me veio hoje quando eu estava lendo nos jornais e sites da cidade aquela notícia sobre a sessão do TJSC que será realizada em Caçador e que a Zona deu com exclusividade aqui há 16 dias atrás.
Eu fico impressionado porque geralmente os jornais e sites da cidade estão sempre com as mesmas notícias (por isso o elogio à alguns portais novos que eu falei ontem).
Tudo bem que numa cidade do interior os fatos de destaque acabam sendo os mesmos, mas publicar ipsis litteris a mesma matéria em diferentes veículos de comunicação é complicado...eu mesmo quando coloco conteúdo de outros blogs aqui na Zona, além de citar a fonte, eu sempre coloco pelo menos um comentário diferente no artigo p/ não ficar tuuuuudo igual.
Esse problema do conteúdo idêntico nos jornais se dá por um motivo: os releases.
Os press releases são, por definição acadêmica, textos redigidos por empresas, instituições e até mesmo pessoas públicas, encaminhados para as redações visando promover a própria imagem ou descrever um fato à sua maneira. Alguns autores, como Lima, consideram os releases uma publicidade disfarçada de conteúdo editorial, pois, “como um anúncio, um cartaz ou mesmo um outdoor, o press release deixa de ser um texto com informações jornalísticas para se tornar mais uma peça publicitária…” (LIMA, 1987, p. 50).
O parágrafo acima foi extraído de um artigo na internet, no qual não consegui identificar o autor, mas clique aqui e veja o artigo na íntegra).
Eu não critico os releases em si, mas o fato de os jornais publicarem sem ao menos fazer alguma alteraçãozinha, sem ao menos conferirem se o fato é real etc.
E não conferem por um motivo meio óbvio: geralmente as empresas e instituições que enviam os releases são anunciantes do jornal, então o editor acaba sendo meio que obrigado a publicar.
Eu acho estranho porque, em que pese serem os anúncios que mantêm os jornais financeiramente, a idéia dos anúncios era simplesmente de dar visibilidade para a empresa/serviço do anunciante, mas como o tempo foi passando e os anunciantes (principalmente do interior) se deram conta de que os anúncios mantém os jornais, estes acabaram esquecendo da verdadeira finalidade do anúncio - de divulgação - e hoje em dia pensam que só porque mantém o jornal, eles também podem controlar as publicações nesses periódicos.
Lembro que uma vez houve um protesto numa universidade aqui da região, durante a reunião de um Conselho Curador formado, em sua maioria, por grandes empresários de uma cidade. A imprensa da cidade estava toda lá, tiraram fotos etc, mas, curiosamente, nunca foi publicado absolutamente nada sobre o tal protesto em nenhum jornal daquela cidade.
O pior é que os jornais do interior, como não têm muita opção, acabam por abrir mão da independência jornalística e acatam essas intervenções "extrajornalísticas" pois, afinal, tanto os jornalistas quanto os outros funcionários do jornal precisam sobreviver, sustentar suas famílias etc.
É por esses e outros motivos que quando muita gente me diz: "Douglas, você devia fazer jornalismo!" eu me limito à sorrir e balançar a cabeça.
Eu sou adepto do conceito de jornalismo dado pelo escritor britânico George Orwell (1903-1950), autor do livro 1984:
Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que seja publicado; todo o resto é relações públicas.Sendo assim, o melhor é eu continuar meu curso de Direito, pois como jornalista eu morreria de fome trabalhando no meu jornal sem anúncios.





































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